O cis no divã + Escutas Clínicas e relações de gênero + Clínica transexualiza[dor]a

Código: 9000000000896
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  • Editora:  Devires
  • AUTORE(S): Pablo Cardozo Rocon | AUTORE(S): José Stona | ORGANIZADORE(S): Fernanda Carrion
  • ISBN:  9000000000896
  • Edição:  1ª EDIÇÃO
  • Formato:  16.00 x 23.00 cm
  • Páginas:  174

 

O CIS NO DIVÃ Esta obra visa a problematizar o modo como a formação em psicologia formata certas maneiras de escutar o outro a partir de dispositivos normativos. Nosso objetivo foi pensar como a cisnormatividade é performada nos espaços de formação de psicólogues e como isso é transmutado para a escuta clínica. Na escrita, procuramos evidenciar tais mecanismos em dois grandes contextos: os dispositivos de clínica-escola e as formações clássicas de psicanalistas. A justificativa de colocarmos o “cis” no divã sobre diversos aspectos está pautada no entendimento de que a prática clínica em psicologia esteve, durante longas décadas, colada aos saberes médicos, jurídicos e terapêuticos, que, por meio de seus dispositivos de saber-poder-ser, produziram uma dívida histórica via patologização diante do gênero. Longe de ser algo amplamente resolvido, os campos discursivos das psicologias ainda atuam como dispositivos de controle, vigilância, violência, discriminação e patologização. Por fim, esperamos que este debate contribua como uma crítica para os campos clínicos, éticos, teóricos e políticos da atualidade. ESCUTAS CLÍNICAS E RELAÇÕES DE GÊNERO Esta obra está organizada a partir de um trabalho narrativo feito, principalmente, por profissionais da psicologia que, quando pensam seus fazeres clínicos, éticos e políticos, levam em consideração, não como elemento central, mas como elemento não passível de isenção, os atravessamentos singulares das relações de gênero (sejam eles de raça, etnia, classe, gênero, orientação sexual, religião, deficiência, nacionalidade etc.). São, além disso, autores que, em seu campo de atuação, deixam que a clínica seja primária em relação à teoria e fazem dos seus corpos ações políticas, partindo do pressuposto de que a sua teoria, independentemente da linha teórica adotada, não é imparcial frente a estigmas, violências e discriminações. Esta obra está organizada a partir de um trabalho narrativo feito, principalmente, por profissionais da psicologia que, quando pensam seus fazeres clínicos, éticos e políticos, levam em consideração, não como elemento central, mas como elemento não passível de isenção, os atravessamentos singulares das relações de gênero (sejam eles de raça, etnia, classe, gênero, orientação sexual, religião, deficiência, nacionalidade etc.). São, além disso, autores que, em seu campo de atuação, deixam que a clínica seja primária em relação à teoria e fazem dos seus corpos ações políticas, partindo do pressuposto de que a sua teoria, independentemente da linha teórica adotada, não é imparcial frente a estigmas, violências e discriminações. CLÍNICA (TRANS)SEXUALIZA(DOR)A. PROCESSOS FORMATIVOS DE TRABALHADORES DA SAÚDE Em tempos de tanta iniquidade, o livro de Pablo, Clínica (Trans)sexualiza(dor)a. Processos formativos de trabalhadores(as) da saúde, chega irrespiráveis. Livro que emerge num momento em que, nos mais diferentes cantos do planeta, experimentamos os efeitos de gestões governamentais marcadas por autoritarismos de viés fascista. Tomamos o convite a prefaciar, portanto, como convite a uma conspiração – conspiração para que respiremos juntos(as), como sussurrou Guattari mesmo antes daquele inverno francês que lhe pareceria interminável quando comparado à (eterna?) primavera da década de 1960. Nosso inverno, contudo, não seria um inferno? Sentimo-nos exilados(as) em nosso próprio país. País que acha feio o que não é espelho (Caetano Veloso). Pois bem, em sintonia (dissonante) com esse mundo contemporâneo, Pablo nos oferece um belo (porque dissonante) trabalho sobre formação em saúde, sinalizando uma postura de (re)existência radical a tais (e tantos) controles. Paradoxalmente, como sugere Agamben, ser contemporâneo é estranhar seu tempo e é justamente esse estranhamento que se expressa nas linhas dos escritos de Pablo aqui presentes. Uma obra falada. Uma obra que diz, corajosamente, de uma intolerância comum corpos em revolta, indóceis frente a despotismos de diferentes ordens.

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