Chamada para coletânea: AIDS sem Capa: reflexões virais sobre um mundo pós-pandemia

miniaturaEsta obra viral intenta reunir textos que reflitam os impactos, a situação política, as subjetividades, as produções artísticas, a produção científica e os ativismos pertinentes ao panorama latinoamericano do HIV / AIDS, mas também de outros contextos. A ideia de uma obra viral remete obviamente ao organismo que produz a imunodeficiência humana, sem a pretensão de romantizar a doença, a condição e o próprio vírus, mas rasgar o binarismo que ainda (re)produz o medo da linguagem, potencializando a já tão refletida epidemia de significados e estigmas que produz morte, contaminação literal e relegação de certas comunidades a uma vida menos cidadã, uma humanidade precária, uma existência encerrada em um prontuário. Remete também às possibilidades de textualidades dissidentes, “estranhas”, ou seja, que escapem do formato acadêmico tradicional, pois o foco é na potência, na densidade das abordagens e no impacto de textos que coagulam ideias novas e reflexões sobre as últimas décadas de um mundo cujos corpos foram reconfigurados por técnicas de prevenção, diagnósticos, comprimidos e consultas médicas. Também serão bem-vindas reflexões críticas sobre o conceito de “pós-coquetel” e as transformações da pandemia ao longo dos tempos. Destaca-se, desse modo, o pulsar de muito sangue que contesta os moldes de vida definidos pela indústria farmacêutica e o capitalismo, a cis e heteronormatividade, o colonialismo, o racismo, o machismo, o classismo e toda sorte de opressões que se retroalimentam em sorofobia e aidsfobia. O entendimento desta proposta sobre os prefixos críticos anti- e des- não coaduna com a ideia de negação, pois entendemos que nossas ideias, corpos, identidades e existências foram constituídas, construídas e potencializadas a partir desses processos históricos de violência do colonialismo e os sistemas de opressão que orbitam interseccionados a ele (sem nunca reduzir-se a esses signos). As ideias e vidas aqui não são contidas por comprimidos nem por capas*.

Ressaltamos que parte dos lucros advindos da venda do livro serão disponibilizados a uma ONG que atua no campo dos ativismos de HIV/AIDS.

* a ideia de capa realiza um jogo semântico com o preservativo, pois capa é uma gíria que remete à camisinha. “Sem capa” é também uma expressão referente a uma prática de sexo sem o uso de preservativos (ou bareback), mas a provocação e ironia aqui referem-se a uma proposta de discussão aberta, sem censuras e limitações temáticas e estéticas.

Formato:

Limite de páginas: 15, no formato ABNT (fonte 12, espaçamento 1,5, justificado) para artigos e ensaios. Também estamos recebendo outras textualidades como poemas, manifestos, textos artístico-ativistas e outros formatos mais livres.

Prazo de entrega: 31 de maio de 2021. Os textos devem ser enviados para pandemia.aids@gmail.com

Palavras-vírus-chave: AIDS. Ativismos. Arte. Ciência.

Sobre a Editora Devires:

A Editora Devires (ED) é uma empresa criada em 16 de janeiro de 2017 com o objetivo de suprir uma lacuna no mercado editorial, na publicação de textos acadêmicos e/ou literários produzidos no campo das sexualidades e gêneros, raça e classe, que dialoguem com os estudos queer, pós-coloniais, subalternos, crip, transfeministas etc.

Sobre os organizadores:

Bruno Puccinelli – Doutor em Ciências Sociais (UNICAMP)  

Fábio de Sousa Fernandes – Professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia – Doutorando em Linguística (UnB)
Ramon Victor Belmonte Fontes – Doutorando em Literatura e Cultura (UFBA)

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