Dignidade no tratamento às pessoas trans é abordado em livro

Editora Devires publica estudo de renomado pesquisador, obra dedicada a pensar a formação, o trabalho, cuidado e a gestão  com a saúde no Processo Transexualizador do SUS.

miniaturaO Dr. Pablo Cardozo Rocon tem se dedicado às pesquisas nas áreas de gênero, sexualidade e Saúde Coletiva, analisando acesso e permanência da população LGBTI+ nos serviços públicos de Saúde, com atenção especial às transexualidades e travestilidades. São diversos os artigos publicados referentes ao tema, geralmente envolvendo estudos sobre educação, políticas públicas e, principalmente, saúde.

E é versando justamente sobre este último ponto que o Dr. Rocon desenvolveu o livro Clínica (Trans)sexualiza(dor)a: Processos formativos de trabalhadores da saúde. Livro produzido a partir de sete anos de experiência com estudos e pesquisas sobre o processo transexualizador do SUS. Em tal livro, o autor, preocupado com a realidade de exclusão e discriminação nos serviços de saúde vivida pela população travesti e transexual, busca problematizar o hegemônico receituário ofertados por artigos científicos e políticas de saúde para solução de tal problemática, a saber – os cursos de capacitação.

Ao longo dos seis capítulos que compõem a obra, o Dr. Pablo Rocon compartilha vivências e experiências, apresenta dados de sua pesquisa mais recente, e, num exercício de crítica como pensar outra vez sobre um pensado, esmiúça assuntos relacionados a produção de uma Clínica Transexualizadora. A partir deste conceito, o autor propõe pensar que todas as identidades - cisgêneras e trans - são produzidas por saberes/poder biomédicos, e assim, a patologização das vivências e experiências transexuais e travestis, bem como os episódios de discriminação, são estratégias e dispositivos para manter inabaláveis as verdades que pregam a naturalização da cisgeneridade e da heterossexualidade. Verdades que para o autor, compõe a matéria subjetiva dos(as) trabalhadores(as) da saúde, e assim, conduzem suas práticas no cotidiano de cuidado, trabalho e gestão com os serviços de saúde.

Dr. Pablo ainda lança mão de ideias como Formação Normalizadora e Pastoral da Conscientização Política para problematizar a formação hegemônica em ciências da saúde e, certos modos de pensar e executar estratégias de formação para o debate de gêneros e sexualidade, apresentando os paradoxos que podem ser criados como a produção de uma cisão entre cuidado ideal e o que é real no atendimento a população trans no Brasil.  Dr. Rocon indica bons caminhos para outras pesquisas vindouras — áreas que merecem e carecem de novos olhares também cuidadosos, bem como, fornece pistas para processos formativos com trabalhadores(as) da saúde a fim de avançar com a universalidade, equidade e integralidade do cuidado em saúde com a população LGBTI+.

Força dos signos

Um tema em especial, ganhou dois capítulos na obra: a aprendizagem com os signos trans. Esses signos são catalizadores das vivências e experiências trans e travesti, que anunciam uma vida como obra aberta, obra de arte. Dr. Rocon, nesta empreitada, analisa que na experimentação com tais signos, nas aprendizagens que acontecem nessas experimentações com os saberes trans e travestis, criam-se possibilidades de um reposicionamento subjetivo dos(as) trabalhadores(as) da saúde, e assim, a produção de modos de cuidar, gerir e trabalhar com os serviços de saúde que afirmem o direito a diferença e a defesa de uma vida.

Assim, Dr. Rocon aposta numa aprendizagem inventiva, criadora de mundos, que emerge de um mal-estar do encontro com a diferença, com os saberes, vivências e experiências trans que anunciam possibilidades de ser e existir não restritas a Cisheteronormatividade. É no Mal-estar, na gestão coletiva deste, em contraposição a propostas de formações que calam, pasteurizam e anulam as diferenças que Dr. Pablo aposta. Propondo que somente nesta gerência coletiva, pela produção de um comum entre trabalhadores(as) e população transexual e travesti a partir de uma ética como aliança, de cuidado de si e com o outro, será possível TRANS-formar o Sistema Único de Saúde.

Clínica (Trans)sexualiza(dor)a: Processos formativos de trabalhadores da saúde, direciona o leitor, que não somente será composto por profissionais da saúde, a repensar e se reposicionar diante da vida com as múltiplas possibilidades de existência. No que se refere a esses profissionais, a obra funciona como uma espécie de bússola que indica somente ser possível formar-se para o trabalho com o processo transexualizador do SUS mediante a disponibilidade, a abertura para o mal-estar do encontro com os signos trans, e, em aprender com os saberes transexuais e travestis. Será também um ponto de partida por meio do qual pesquisadores(as) das áreas de Gênero, Sexualidade, Saúde Coletiva, Educação e Políticas Públicas poderão vislumbrar novos destinos para pensar formação humana, cuidado, trabalho, gestão em saúde e, a formulação de serviços, programas e políticas de saúde para o SUS.

SERVIÇO:

O que: Clínica (Trans)sexualiza(dor)a: Processos formativos de trabalhadores da saúde, do Dr. Pablo Cardozo Rocon (Editora Devires, 184 páginas)

Onde encontrar:

https://www.queerlivros.com.br/clinica-transsexualizadora-processos-formativos-de-trabalhadores-da-saude

Quanto: R$36,90

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