Vol. 2 - Dissidências de gênero e sexualidade na literatura brasileira: uma antologia (1842-1930)

Código: 9786586481471
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  • Editora:  Devires
  • ORGANIZADORE(S): Helder Thiago Maia | ORGANIZADORE(S): César Braga-Pinto
  • ISBN:  9786586481471
  • Edição:  1ª edição
  • Formato:  16.00 x 23.00 cm
  • Páginas:  204

 

Os dois volumes desta antologia – “Desejos” e “Performances” – ampliam e desestabilizam o cânone literário nacional, reconstruindo o contexto em que este se consagrou. Por um lado, Dissidências oferece inúmeras surpresas e descobertas, seja em textos de autores esquecidos, cuja obra trata de questões de gênero e sexualidade – como Laurindo Rabelo, Ferreira Leal, Nestor Vitor, João Luso, Vinicio da Veiga, Laura Villares e outros – seja em textos pouco conhecidos de autores já consagrados, como Bernardo Guimarães, Joaquim Manuel de Macedo, Machado de Assis e Coelho Neto. A eles se juntam aquelas obras que configuram quase um subcânone de representações lgbt na literatura brasileira, como os de Raul Pompeia, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha e Mário de Andrade. Os quase cem anos cobertos pela antologia – um longuíssimo século XIX – representam também um período decisivo para se compreender o lugar do Brasil na história do gênero, das sexualidades e das homossexualidades ocidentais. “A alcunha é Sinhazinha; o nome ninguém o sabe. Tipo de mulato dengoso, a gingar, a rebolar-se, vestido sempre de claro, uns paletós e umas calças que lhe cingem e lhe desenham as curvas flácidas do corpo; chapelico à cabeça, deixando escapar, retinta e oleosa, a grenha em anéis; gravata invariavelmente vermelha, de lacinho; grandes olhos húmidos; e nem sombra de buço no lábio pálido que se debrua e espalma, se vai sério, e, quando sorri, se alonga em bico, com vaidade e mimo... Bordeja os largos, para às esquinas, dobrando em arco de flecha o vime da bengala; e tem sempre, parado ou andando, uma ondulação de cinta particular ao seu feitio. Às vezes, a vagabundagem das ruas dá com ele, persegue-o – Ó Sinhazinha! – Sabem não haver perigo algum em o insultar; pobre diabo de maricas, nunca lhe virá o ímpeto de erguer o vime, carregar sobre a malta escarninha, às vergastadas. E o regalo melhor é ouvir-lhe as respostas irritadas, vê-lo afastar-se, numa indignação covarde, latindo injúrias, com lágrimas a cortar-lhe a voz fanhosa de velha requinta. Quanto mais se exaspera, mais se afemina; inflamada pela raiva, a fala torna-se-lhe mais aguda e desafinada; e até na particularidade de abrir todas as vogais, languidamente, e de espreguiçar os ss, como no gozo de uma sibilante carícia, se excede em pitoresco e ridículo.” César Braga-Pinto é doutor em literatura comparada pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e professor de literatura brasileira e comparada na Northwestern University. É autor, entre outros, de A violência das letras: amizade e inimizade na literatura brasileira (1888-1940). (EdUERJ, 2018), além de dezenas de artigos sobre João do Rio, Raul Pompeia, Adolfo Caminha, Gilberto Freyre, Mário de Andrade, entre outros. Vive entre São Paulo e Chicago. Helder Thiago Maia é doutor em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense, e atualmente realizada estágio de pós-doutorado em Estudos Comparados de Literaturas de Lingua Portuguesa, na Universidade de São Paulo, com bolsa FAPESP 2018/19521-4. É autor de O devir darkroom e a literatura hispano-americana (2014) e Cine[mão]: espaços e subjetividades darkroom (2018). É editor da Revista Periódicus (UFBA) e pesquisador do NuCuS (UFBA).
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